África do Sul, um olhar brasileiro - por Kinha Costa Silêncio das Vuvuzelas
Sexta-feira às 16h em Johannesburgo o sol brilhava num céu insistentemente azul e os termômetros marcavam 10º. Quente para um inverno que já deu –10º. O clima na praça do shopping Melrose Ach era larajamente eufórico. Parecia que todos os holandeses, africâners e simpatizantes tinham combinado assistir ao jogo juntos. A torcidada brasileira era pequena em fantasias verde amarelo, mas o povo sul-africano torcia pelo sua segunda seleção, a Canarinho, apesar da pouca extravagância nas roupas, tinha sempre um cachecol, uma camiseta ou uma toca denunciando a preferência dos locais. Após a inesperada eliminação do Brasil, sul-africanos dividiram com brasileiros o choque, o inesperado, o inusitado. A mesma praça se preparou para torcer pela seu último sonho africano nessa Copa, Gana. Sul-africanos, ganenses e africanos em geral foram se misturando aos holandeses que estenderam a comememoração. Mas ainda não foi a vez da África. Os santos do futebol não queriam que fosse e Suares garantiu a passagem da Celeste, quando num recurso final tocou a bola com a mão num tudo ou nada. A eliminação de Gana silenciou a praça. As vuvuzelas calaram o seu rouco som de elefante na área. Saiu de cena a última seleção africana, última esperança dos 53 países do continente e dessa gente alegre. A África do Sul continua na Copa dando show de bola na organização, espírito esportivo, compaixão e comedimento. E só mesmo tirando o chapéu pra esse povo humilde e apaixonado que tem brindado o mundo com sua alegria colorida, rítmica e pacífica, suas vuvuzelas e makarapas. Ke Nako! Ayoba!
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