África do Sul, um olhar brasileiro - por Kinha Costa Dia 24/06/2010 Tutu a Desmond Tutu pra mim sempre foi o nome de um prato típico da cozinha mineira. TUTU À MINEIRA. Já na África do Sul, Tutu a Desmond ou Desmond Mpilo Tutu é o arcebispo anglicano, defensor dos fracos e dos oprimidos, uma das primeiras vozes a gritar para o mundo as atrocidades do regime do apartheid e dono do Prêmio Nobel da Paz de 1984. O Arcebispo Tutu tem o dom da palavra. É um orador. Pastor por profissão, podia ser um excelente político. Fala pronunciando todas as letras e saboreando as sílabas como se acariciasse cada frase elaborada. As palavras saem de sua boca com a fluidez de um texto estudado. Parece que o pensamento já nasce pronto. Ele é exuberante, apaixonante, brilhante e barulhento. Denuncia toda forma de opressão e cobra dos governantes coerência, honestidade, compromisso, objetividade e realização. É uma das poucas personalidades que têm coragem de criticar o governo da Uma missão difícil lhe foi confiada quando indicado para presidir a Comissão de Verdade e Reconciliação, um tribunal criado após a queda do apartheid para apurar atrocidades e crimes cometidos pelos dois lados. Para Tutu se a Comissão não tivesse existido, a África do Sul não estaria onde está. E quando entregou o relatório final ao então presidente, Nelson Mandela, falou: “Nós olhamos o monstro nos olhos. Não seremos prisioneiros do nosso passado. Nós, que somos a nação arco-íris de Deus, vamos dar-nos as mãos e dizer: never again, nooit weer, ngekhe futhi, ga reno tlola”. NUNCA MAIS. Para o arcebispo, as soluções pacíficas vêm juntas com compromissos e não com armas. Ele acredita que o mundo pode aprender uma importante lição com o processo de transição relativamente tranqüilo da África do Sul e que nenhum problema é insolúvel. Claro que líderes corajosos são necessários. Líderes capazes de pegar o touro pelos chifres, costuma dizer.
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